{"id":41,"date":"2018-10-30T08:00:00","date_gmt":"2018-10-30T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/192.168.1.111\/signy\/?p=41"},"modified":"2024-02-22T08:52:12","modified_gmt":"2024-02-22T11:52:12","slug":"modern-city-with-amazing-blue-sea-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caiopenido.com.br\/?p=41","title":{"rendered":"Justi\u00e7a ao Brasil, Pot\u00eancia Agroambiental"},"content":{"rendered":"<p><p class=\" sgny-big-letter-69fb16fa4f9fd sgny-big-letter \">C<\/p>omo Presidente do <strong>GTPS<\/strong>, o Grupo de Trabalho da Pecu\u00e1ria Sustent\u00e1vel, estive participando recentemente na Irlanda da\u00a0<strong>GRSB, Global Roundtable for Sustainable Beef<\/strong>, evento global que re\u00fane mesas redondas de pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel de muitos pa\u00edses. Percebi que o que move cada pa\u00eds s\u00e3o seus desafios particulares. Enquanto para alguns o problema \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e antibi\u00f3ticos, para outros \u00e9 a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria; enquanto o problema para alguns \u00e9 o abate, para outros \u00e9 a necessidade de diminuir os confinamentos; enquanto para alguns o problema \u00e9 a falta de uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental, para outros \u00e9 o bem estar animal\u2026<\/p>\n<p>Percebam que em todos os casos acima o Brasil est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o privilegiada: nossa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 majoritariamente a pasto, trazendo bem-estar animal; pelo clima tropical, nossa demanda para o uso de antibi\u00f3ticos \u00e9 reduzida; e ainda podemos intensificar nossa pecu\u00e1ria de forma sustent\u00e1vel, com a possibilidade do uso da integra\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria com a agricultura e destas com a floresta. J\u00e1 dispomos de um C\u00f3digo Florestal e de mecanismos para mensurar o balan\u00e7o de carbono das propriedades e do Brasil.<\/p>\n<p><div class=\"sgny-entry-content \"><blockquote><p>Nosso maior problema, ironicamente, \u00e9 nossa rica biodiversidade.<\/p><\/blockquote><\/div>Nosso maior problema, ironicamente, \u00e9 nossa rica biodiversidade. Pelo risco que existe em sua destrui\u00e7\u00e3o, mercados se fecham para nossos produtos, preferindo comprar de pa\u00edses que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam biodiversidade. Isso acabou deixando confusos os produtores brasileiros, submetidos injustamente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inimigos da natureza: Como n\u00e3o somos reconhecidos como cuidadores da biodiversidade se temos hoje mais de 60% de nosso territ\u00f3rio nacional coberto com cobertura vegetal nativa? Como o mundo n\u00e3o reconhece esses nossos atributos e n\u00e3o paga mais pelos nossos produtos, sendo que um ter\u00e7o dessa nossa biodiversidade est\u00e1 dentro das propriedades rurais, cuidada e custeada apenas pelo produtor brasileiro?<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o a natureza e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o est\u00e3o competindo, as duas necessitam de entendimento para colaborarem na supera\u00e7\u00e3o dos desafios que teremos pela frente:<\/p>\n<p>\u2013 Desafio 2050: Existe uma demanda crescente de alimentos devido ao aumento populacional. Seremos 9,5 bilh\u00f5es em 2050 e outros pa\u00edses, como a China principalmente, est\u00e3o passando por um processo de enriquecimento da popula\u00e7\u00e3o e sua consequente no mercado consumidor de alimentos. Segundo a ONU e OCDE, caber\u00e1 ao Brasil, com disponibilidade de terras e tecnologia, contribuir com 40% do aumento da oferta de alimentos, produzindo mais, para todos e para sempre!<\/p>\n<p>\u2013 Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas: Existe o desafio de conserva\u00e7\u00e3o para que a floresta n\u00e3o seja desmatada e o CO2 n\u00e3o v\u00e1 para a atmosfera aquec\u00ea-la. Atrav\u00e9s de melhorias cont\u00ednuas tamb\u00e9m podemos estimular sistemas produtivos de baixa emiss\u00e3o, como por exemplo a capacidade da integra\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o de nossas pastagens neutralizar as emiss\u00f5es ent\u00e9ricas do gado atrav\u00e9s do aumento do carbono no solo.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 uma Pot\u00eancia AgroAmbiental injusti\u00e7ada, que precisa ser reconhecida e valorizada, a come\u00e7ar por sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o precisamos por isso abandonar o Acordo de Paris ou nos revoltarmos contra o resto do mundo, que muitas vezes n\u00e3o tem biodiversidade e n\u00e3o reconhece nossos avan\u00e7os na busca incessante por uma agropecu\u00e1ria sustent\u00e1vel e um moderno aparato legal. Devemos sim liderar esse processo de forma transparente e participativa. Vejo nesta pr\u00f3xima troca de governo a oportunidade de aprimorarmos o Acordo de Paris (ainda incompleto), incluindo est\u00edmulos e pol\u00edticas que valorizem pa\u00edses ricos em biodiversidade, em sua maioria subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos grandes produtores de alimentos e tamb\u00e9m prestamos, em nossos seis biomas, uma s\u00e9rie de servi\u00e7os ambientais ou ecossist\u00eamicos que tornam a exist\u00eancia no planeta mais f\u00e1cil e contribuem para a conserva\u00e7\u00e3o de nossos recursos naturais. O que falta s\u00e3o ferramentas de remunera\u00e7\u00e3o por estes servi\u00e7os que estimulem a conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o. Essa biodiversidade prestadora de servi\u00e7os ambientais deve ser uma vantagem competitiva do Brasil. \u00c9 n\u00edtido o sentimento de palestrantes de outros pa\u00edses na reuni\u00e3o da RCSB a que me referi no inicio do artigo em rela\u00e7\u00e3o a isso. Todos os pa\u00edses querem ter o que n\u00f3s temos, a capacidade de alimentar o mundo mantendo a maior parte do pa\u00eds com cobertura vegetal nativa rica em biodiversidade.<\/p>\n<p>Infelizmente n\u00e3o conseguimos ainda transformar todas essas virtudes e oportunidades em vantagens competitivas para o Brasil. Ao contr\u00e1rio, esses nossos ativos t\u00eam sido usados contra nosso legitimo direito de crescermos e nos desenvolvermos em dire\u00e7\u00e3o a um pa\u00eds mais pr\u00f3spero e justo. Estamos sendo exclu\u00eddos de importantes mercados internacionais na forma de barreiras n\u00e3o tarif\u00e1rias, a pretexto da amea\u00e7a de desmatamento associada aos nossos produtos.<\/p>\n<p>Se a floresta deixou de ser uma vantagem competitiva, alguns pensaram que acabar com ela poderia ser a solu\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, o outro lado defende o desmatamento zero a qualquer custo, mesmo desrespeitando o direito de propriedade e se sobrepondo ao c\u00f3digo florestal.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos polarizar em duas vis\u00f5es unilaterais. Existe outro caminho, um caminho onde todos ganham, onde o propriet\u00e1rio de terra \u00e9 respeitado, o meio ambiente conservado e o Brasil reconhecido e seus produtos valorizados! Por que um pa\u00eds como o Brasil, com potencial para ser um protagonista para solucionar duas grandes crises mundiais, \u00e9 visto como um problema e n\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o? O que pode ser feito?<\/p>\n<p>Devemos educar os consumidores para que reconhe\u00e7am valor e paguem mais pelos produtos comprovadamente sustent\u00e1veis, para recompensar assim quem \u201cfaz certo\u201d e motivar os que est\u00e3o fazendo errado a se acertarem, motivados pela perspectiva real de melhoria da renda.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de buscarmos uma a\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica e profissional junto \u00e0 OMC e demais organismos internacionais, para que se avalie se est\u00e1 ocorrendo uma concorr\u00eancia desleal entre nossos produtos \u2013 que carregam o custo ambiental \u2013 e produtos de outros pa\u00edses que n\u00e3o gastam nada com o meio ambiente. No \u00e2mbito do governo federal, Minist\u00e9rio da Fazenda, criar mecanismos de PSA e tributa\u00e7\u00e3o de fontes n\u00e3o renov\u00e1veis. Junto ao Minist\u00e9rio da Defesa, assegurar que a valoriza\u00e7\u00e3o dos nossos ativos ambientais n\u00e3o ameace nossa soberania e integridade territorial. Fortalecer o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente no monitoramento de nosso balan\u00e7o de emiss\u00f5es e do desmatamento, devidamente quantificados e qualificados. No Minist\u00e9rio da Agricultura, refor\u00e7ar os programas de Agricultura de Baixo Carbono e sistemas sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o. Por fim, uma postura agressiva e bem fundamentada de nossa diplomacia, assessorada por nossos adidos agr\u00edcolas, reafirmando nossa condi\u00e7\u00e3o de produtores de alimentos e grandes respeitadores do meio ambiente.<\/p>\n<p>Como novo presidente de uma Pot\u00eancia AgroAmbiental, este \u00e9 o momento de defender nossa verdadeira voca\u00e7\u00e3o natural de produtores de alimentos, fibra e energia, de uma forma sustent\u00e1vel e inclusiva. Produzir mais agregando valor aos produtos sustent\u00e1veis, valorizar o ativo ambiental como estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o e estimular o consumo consciente e os sistemas produtivos de baixa emiss\u00e3o! S\u00f3 assim poderemos nos orgulhar de sermos essa grande pot\u00eancia AgroAmbiental, importante produtora de alimentos e detentores da maior biodiversidade terrestre do mundo!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/plantproject.com.br\/novo\/sessoes\/forum\/\"><em><strong>Clique aqui para conferir todas as #ColunasPlant.<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/caiopenido-com-br.preview-domain.com\/?page_id=103\" title=\"Artigos\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#777777\" class=\"has-inline-color\">Voltar<\/mark><\/a><\/h6>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"omo Presidente do GTPS, o Grupo de Trabalho da Pecu\u00e1ria Sustent\u00e1vel, estive participando recentemente na Irlanda da\u00a0GRSB, Global Roundtable for Sustainable Beef, evento global que re\u00fane mesas redondas de pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel de muitos pa\u00edses. 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