{"id":54,"date":"2018-09-20T08:43:00","date_gmt":"2018-09-20T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/192.168.1.111\/signy\/?p=54"},"modified":"2024-02-22T09:00:27","modified_gmt":"2024-02-22T12:00:27","slug":"stay-hungry-stay-foolish","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/caiopenido.com.br\/?p=54","title":{"rendered":"Brasil, o salvador do mundo"},"content":{"rendered":"<p><p class=\" sgny-big-letter-69fb15bd36516 sgny-big-letter \">Q<\/p>ualquer produtor rural em atividade hoje sabe que o Brasil possui uma das mais complexas e rigorosas leis ambientais do mundo. O setor rural convive diariamente com as regras do C\u00f3digo Florestal e vem assumindo, sozinho, o alto custo por ele imposto. Segundo pesquisa realizada pela Embrapa Territorial, a partir das informa\u00e7\u00f5es mantidas no SiCAR pelo Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB), o valor do patrim\u00f4nio fundi\u00e1rio imobilizado em preserva\u00e7\u00e3o ambiental pelos produtores brasileiros dentro de suas propriedades \u00e9 de cerca de R$ 3,1 trilh\u00f5es, que representam a preserva\u00e7\u00e3o de mais de 218 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, aproximadamente um quarto do territ\u00f3rio nacional. Estudos sempre est\u00e3o sujeitos a revis\u00f5es e questionamentos, mas vou utiliz\u00e1-lo para minhas reflex\u00f5es nesse artigo.<\/p>\n<p>\u00c9 como se cada produtor rural utilizasse apenas metade de suas terras, a outra \u00e9 ocupada com \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa: APPs, reserva legal e excedente \u2013 que tamb\u00e9m demandam um custo de manuten\u00e7\u00e3o anual com cercas, aceros, servi\u00e7os jur\u00eddicos, t\u00e9cnicos ambientais, etc\u2026; numa franca desvantagem competitiva com produtores de alimentos de outros pa\u00edses aos quais n\u00e3o s\u00e3o impostas as mesmas restri\u00e7\u00f5es. Por que os mercados mundiais n\u00e3o reconhecem o valor de nossos ativos ambientais?<\/p>\n<p><div class=\"sgny-entry-content \"><blockquote><p>A \u00e1rea total destinada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil ocupa 66,3% do territ\u00f3rio.<\/p><\/blockquote><\/div><br \/>\nSegundo o mapeamento da Embrapa Territorial, a \u00e1rea total destinada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil ocupa 66,3% do territ\u00f3rio. Nesse n\u00famero est\u00e3o os espa\u00e7os preservados pelos produtores rurais, as unidades de conserva\u00e7\u00e3o integral, as terras ind\u00edgenas, as terras devolutas e as ainda n\u00e3o cadastradas no SiCAR. Elas somam 631 milh\u00f5es de hectares. Algum outro pa\u00eds det\u00e9m n\u00fameros parecidos? Por que n\u00e3o somos reconhecidos como pot\u00eancia ambiental que somos? Por que n\u00e3o nos valorizam e nos reconhecem por nossa rica biodiversidade?<\/p>\n<p>Mas se o mundo ainda duvida do que nos parece \u00f3bvio, precisaremos comprovar essa tese atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de mensura\u00e7\u00e3o confi\u00e1veis e reconhecidos. Em um segundo momento, com dados consistentes sobre a realidade e os avan\u00e7os agroambientais do setor, deveremos trabalhar de maneira coordenada, buscando informar com clareza nossas conquistas internas ao consumidor internacional para possibilitar a manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de mercados que valorizem o produto com atributos de sustentabilidade. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, pleitear junto a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) que reconhe\u00e7a isso, criando no futuro mecanismos comerciais que valorizem de alguma forma nossos ativos ambientais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem in\u00fameras propostas de mecanismos econ\u00f4micos de compensa\u00e7\u00e3o aos produtores rurais, seja por meio da comercializa\u00e7\u00e3o de direitos sobre esses ativos (pagamento por servi\u00e7os ambientais, cotas de reserva ambiental, cr\u00e9dito de carbono, etc\u2026) ou a valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos finais (gr\u00e3os e carne de qualidade e sustent\u00e1veis), mas a sociedade precisa se mobilizar para que essas propostas se tornem realidade. \u00c9 hora de tirar nossa legisla\u00e7\u00e3o ambiental da coluna do passivo e lev\u00e1-la para a coluna do ativo e para isso ser\u00e1 preciso uma agenda positiva e comum, um esfor\u00e7o coletivo, com o envolvimento de associa\u00e7\u00f5es, jornalistas, produtores, governo, ambientalistas, ind\u00fastrias, varejo, consultores, institui\u00e7\u00f5es financeiras, prestadores de servi\u00e7os, varejo e restaurantes para a cria\u00e7\u00e3o de um sentimento nacional de orgulho pelas nossas voca\u00e7\u00f5es AgroAmbientais. Desta forma poderemos ser fundamentais na supera\u00e7\u00e3o de duas amea\u00e7as a humanidade: a crise de seguran\u00e7a alimentar anunciada para 2050 e a crise do aquecimento global \u2013 com nossos estoques de carbono florestais e a potencial expans\u00e3o de sistemas produtivos de baixas emiss\u00f5es de GEE (gases do efeito estufa).<\/p>\n<p>Vamos mudar a estrat\u00e9gia? Conservar nossa biodiversidade por orgulho e n\u00e3o mais por medo ou amea\u00e7as? Somos o \u00fanico pa\u00eds com dimens\u00f5es e clima para atender a esse apelo mundial e ainda podemos fazer isso conservando mais de 60% de nosso territ\u00f3rio! Quem mais, al\u00e9m do Brasil?<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/caiopenido-com-br.preview-domain.com\/?page_id=103\" title=\"Artigos\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#777777\" class=\"has-inline-color\">Voltar<\/mark><\/a><\/h6>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ualquer produtor rural em atividade hoje sabe que o Brasil possui uma das mais complexas e rigorosas leis ambientais do mundo. O setor rural convive diariamente com as regras do C\u00f3digo Florestal e vem assumindo, sozinho, o alto custo por ele imposto. 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